30 de ago de 2007

Lojas Americanas acusadas de racismo


“[...] O preposto da requerida (funcionário da loja) demonstrou nutrir um profundo sentimento de hostilidade em relação à raça do requerente (que é de cor negra), fruto da idéia preconcebida de que por pertencer a uma etnia da raça humana diferente da sua seria ladrão ou pessoa desonesta”. Esse é um trecho da ação de indenização movida por Gesse Oliveira Gomes contra as Lojas Americanas.

Gesse, um auxiliar administrativo, e seu filho de 15 anos de idade foram vítimas de discriminação racial por um funcionário das Lojas Americanas, no Shopping Mueller, em Curitiba, no último dia 15 de julho.

Após realizar uma pequena compra, o auxiliar administrativo e seu filho foram surpreendidos com o disparo do alarme sonoro, ao saírem da loja. Ambos foram abordados por um funcionário que vistoriou as compras e os pertences deles. Na ocasião, Gesse percebeu que o pen-drive do filho era o causador do disparo do alarme.

Quando o funcionário se deu conta do equívoco, que pai e filho não teriam furtado nada na loja, virou as costas e saiu sem sequer pedir desculpas. Como se isso não fosse suficiente, ainda agrediu verbalmente Gesse e seu filho, diante de várias testemunhas. “São todos negros, não valem nada”, disse o funcionário.
Com o apoio de pessoas que presenciaram o fato Gesse entrou com uma ação que pede uma indenização por danos morais no valor de R$ 14 mil. O que é pouco, considerando o trauma que o garoto sofreu que, segundo o pai, “chorou, ficou desesperado. Desde então, está com medo de sair na rua, de entrar em lojas”.

Essa história foi publicada no jornal online BemParaná, e reflete um drama social que tenta se esconder, mas que na verdade, volta e meia, mostra suas “asinhas”. O racismo, que muitos tentam negar, resiste à secular abolição da escravatura e ainda faz suas vítimas. No entanto, o processo de democratização do país trouxe leis que asseguram, hoje, a liberdade e os direitos dos negros ou de qualquer etnia ou grupo que sofra algum tipo de preconceito.

Gestão - Existem organismos de promoção da igualdade racial em vários estados e municípios brasileiros. Estes órgãos públicos são responsáveis pela implementação do Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial e pela transversalização do tema na gestão pública.

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